Pais e Filhos: Um relacionamento entre Dois Mundos

Educar alguém significa ensinar alguém. Isso quer dizer, passar idéias, opiniões e conhecimentos, que variam de pessoa para pessoa. Porém, algumas vezes pais e filhos tem opiniões diferentes. Como compreender as exigências e insistências dos pais? Como educar crianças e jovens sem saber quais são...

Educar alguém significa ensinar alguém. Isso quer dizer, passar idéias, opiniões e conhecimentos, que variam de pessoa para pessoa. Porém, algumas vezes pais e filhos tem opiniões diferentes. Como compreender as exigências e insistências dos pais? Como educar crianças e jovens sem saber quais são suas idéias a respeito de situações e sentimentos? Os seus conceitos não são necessariamente verdadeiros ou corretos, seus desejos e medos podem não ser iguais ao de outra pessoa. Nada melhor que um bom diálogo para o entendimento, afinal de contas, é conversando que a gente se entende.

Os pais não vivem no mesmo mundo dos seus filhos. Podem ter passado por circunstancias iguais ou parecidas, mas cada um tem seu próprio mundo e por isso o diálogo é tão importante. Ele é a ponte de um mundo para outro: o mundo dos pais e o dos filhos.

Como conseguir se comunicar e compreender se os pais não vão para a escola com seus filhos nem ficam na casa do amiguinho do colégio e não tem acesso aos pensamentos deles e se os filhos não tem maturidade nem a experiência que os pais tem? O ingresso nestes mundos desconhecidos pode ser feito através de troca de idéias. Um ouve o outro, mas interpretam as situações de maneiras diferentes, pois as visões de mundo são distintas. Desta forma, estar aberto ao diálogo facilita a entrada nesse universo um pouco estranho para ambas as partes.

Para isso é preciso se colocar no lugar do outro, o que é uma tarefa difícil, mas se fosse feita freqüentemente, muitos conflitos poderiam ser evitados. Algumas perguntas como “Por que meus pais se preocupam?”, “Como meus pais se sentem?”, “O que meu filho pensa sobre determinado assunto?”, “Como meu filho se sente?” ou “Como ele interpreta as coisas que ele vê, escuta e vivencia?” nos ajudam a entender as ações das pessoas que amamos.

Todo mundo sabe que os pais só querem o melhor para seus filhos. Mas será que os pais sabem o que é melhor para seus filhos? O melhor para qualquer família é poder ter espaço para expor e conversar sobre opiniões, vontades, experiências, dúvidas, ser compreendido e respeitado.

Bom relacionamento familiar não é fácil, mas não precisa ser impossível. Como são pessoas diferentes, com idéias, objetivos, sentimentos e percepções diferentes e que convivem juntas, precisam se respeitar.

Para os filhos, relacionar-se com os pais é difícil muitas vezes, pois são eles que proíbem as vontades mais incontroláveis, dão limites, brigam, dizem não diante das insistências em dizer sim e dizem sim quando se prefere o não. Pronto! A confusão está feita. Mas como resolvê-la? O filho pode dizer o que aconteceu, o que pensa e sente. Os pais o aconselham e indicam um caminho, por vezes caminham juntos ou constroem novos caminhos para soluções. O filho pode até convidá-los para entrar no seu mundo e partilhar com eles as experiências da geração mais velha.

Desta forma, pode-se construir laços de amizade e confiança. Assim como se tem horário para entrar e sair da escola, para almoçar, jantar e dormir, os pais tem hora para entrar e sair do mundo dos filhos, mas sempre possuirão entrada livre para ensinar-lhes a enxergar e trilhar os melhores caminhos.

Portanto, educação significa partilha e união. Você divide seu mundo e o constrói multiplicando experiências. Por isso, dentro da família, a educação é a ponte possível entre os dois mundos: o dos pais e o dos filhos.

Por Thays Araujo (CRP 08/12185)

Psicoterapeuta Cognitivo-comportamental

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