Entrevista com alunos sobre intercâmbio

Dois alunos do ESMG ganharam uma viagem de uma semana para Salvador pelo curso de alemão da escola em parceria com o Instituto Goethe e o projeto PASCH.

Realizamos uma entrevista com dois alunos do Educandário Santa Maria Goretti que ganharam uma viagem de uma semana para Salvador pelo curso de alemão da escola em parceria com o Instituto Goethe e o projeto PASCH, para conviverem com nativos da Alemanha e praticarem o idioma durante uma semana.

Os alunos; Cecília Lima, que está no 9º ano do Ensino Fundamental e estuda alemão há três anos no curso oferecido pela escola, e Huanan Rabelo, que está no 1º ano do Ensino Médio e já faz alemão há quatro anos no curso, foram convocados pelo programa para concorrerem à seleção da viagem a Salvador para o encontro internacional promovido pelo Instituto Goethe. Confira a seguir uma rápida entrevista com o depoimento dos dois estudantes:

01: Primeiramente, parabéns Cecília e Huanan, pela conquista dessa viagem. Contem um pouco como foi a experiência da seleção para concorrer a viagem. Como ocorreu todo o processo até vocês serem selecionados?

Cecília: Primeiro, a coordenadora Elda me chamou, perguntando se eu queria participar dos Jogos do Sul. Após confirmar, tive que fazer um texto de apresentação em alemão, um texto de motivação em português, apresentar o currículo, as notas escolares e do alemão, que seriam enviados para o Goethe Institut. Caberia a eles escolher qual de nós (eu ou o Huanan) iria receber a bolsa. Contudo, eles acabaram nos cedendo duas bolsas.

Huanan: Obrigado. Bom, primeiramente eu desconhecia o Projeto Spiele Des Südens (Jogos do Sul). Quando a coordenadora Elda veio falar comigo, ela me chamou em particular e me apresentou o projeto. No início ela me perguntou se eu queria participar. Só que eu não podia falar por mim sem antes consultar meus pais. Eles concordaram e um dia depois eu aceitei o convite. Quando encontrei a coordenadora Elda na escola, eu a informei sobre a aceitação da candidatura. Ela me entregou os formulários e informou quais seriam os requisitos. Tinha que entregar tudo até o dia 8 de abril. Após essa data ficamos esperando ansiosos para receber o resultado. No dia 29 de abril, fomos chamados para ir à sala da Amanda, e lá recebemos a notícia de que eu e a Cecília fomos contemplados com a passagem para a participação do projeto. Logo depois pensei em ligar para meus pais, mas pensei melhor e fiz uma surpresa.

02: Quais eram suas expectativas antes de realizarem a viagem? Tais expectativas foram correspondidas?

Cecília: Sabia que ia gostar muito dessa viagem, porém não pensava que ia gostar tanto, a ponto de voltar para casa chorando de saudades.

Huanan: As expectativas eram intermediárias (nem muito altas, nem muito baixas). Porque eu sabia que meus documentos requisitados estavam muito bons, porém eu tinha uma preocupação com as minhas notas.

03: Como foi a preparação de vocês para a viagem? Houve uma intensificação dos estudos em alemão? Receberam recomendações dos professores?

Cecília: Depois de receber a notícia, me dediquei ainda mais aos estudos de alemão.

Huanan: Desde que eu comecei a concorrer à vaga, minha rotina mudou. Comecei a estudar mais três horas por semana. Ainda mais após o recebimento do resultado da seleção. A Mazé (Maria José), minha professora de alemão me recomendou a dar uma olhada na internet para procurar inspiração para o desenvolvimento dos jogos e também a procurar sites que me ajudassem a melhorar meu aprendizado em alemão.

04: Agora relatem como foi a experiência da viagem. O que mais chamou a atenção de vocês durante essa semana?

Cecília: O que mais me chamou atenção foi perceber a diferença não só da cultura alemã, mas também da variedade cultural existente no nosso próprio país. Ao conviver uma semana com pessoas do Brasil inteiro, pude perceber o quão diverso é o nosso país.

Huanan: Eu aproveitei muito, conheci pessoas novas, meus colegas de quarto, Guilherme e Leonardo, eram legais, os integrantes do Invisible Playground eram muito alegres, principalmente a Christiane. Porém, no decorrer do quarto dia, estávamos voltando para o hotel quando o nosso grupo avistou um cachorro em péssimas condições – desnutrido e morto de sede – com a língua para fora. Demos água para ele, que não parava de cambalear, depois de um tempo, o suposto dono apareceu dizendo que o cachorrinho era dele. Começamos a discutir, e perguntamos o porquê de ele estar naquele estado, como resposta ele nos disse que o cachorro estava com câncer, o que só aumentou nossa indignação. Uma das professoras foi falar com ele, enquanto nos dirigíamos para o hotel.

05: Quais as dificuldades de comunicação enfrentadas durante a experiência?

Cecília: A principal dificuldade que enfrentei foi na comunicação, já que todos os instrutores eram alemães e só falavam alemão. Mas no decorrer da semana fui me acostumando e no último dia conseguia entender boa parte do que falavam.

Huanan: Algumas palavras relacionadas ao desenvolvimento dos jogos e expressões referentes ao cotidiano como: “vou ali e volto mais tarde”; “não se esquece de arrumar a bolsa com os materiais”.

06: Houve alguma situação curiosa ou engraçada que gostariam de comentar?

Cecília: Em um dia, tínhamos que fazer uma entrevista relatando o que estávamos fazendo lá em Salvador. Escolhemos entrevistar um morador para nos contar mais sobre a história da Praia do Forte. Foi muito engraçado e divertido, sem dúvidas um dos melhores dias.

Huanan: No fim do nosso primeiro dia, já à noite, o nosso guia nos levou para dar uma olhada nas redondezas e logo no início do tour, ele falou: “Se vocês se distanciarem do grupo vão acabar se perdendo.” Ao falar isso uma mulher passou por trás de nós e disse: “Tá falando tudo errado. Ninguém se perde aqui não.” Cortando o barato do nosso guia. Todo mundo começou a rir.

07: Vocês perceberam diferenças entre a cultura brasileira e a alemã? Comentem um pouco sobre isso.

Cecília: Sim, principalmente a educação e a pontualidade deles.

Huanan: Logo de cara percebemos que eles não são muito abertos à interação muito íntima como um abraço; eles ficam a quatro pés de distância de você e apertam a sua mão. Mas, uma vez ou outra, eles se aproximavam para um abraço coletivo. Outra característica alemã é a pontualidade, que não podemos esquecer.

08: Para vocês, qual a importância dessa experiência no aprendizado do idioma e o contato com a cultura germânica?

Cecília: O aprendizado de um idioma é fundamental na construção de um bom profissional e na inserção do mesmo no mercado de trabalho tão competitivo atualmente.

Huanan: A importância de estar num espaço mais aberto para a prática da língua e não em uma sala de aula. Além de estarmos compartilhando a nossa cultura brasileira com os alemães, também aprendemos muito sobre a cultura deles.

09: Pretendem realizar novas experiências desse tipo?

Cecília: Com certeza; além de aprofundar meu alemão, me diverti muito e vou me lembrar dessa viagem para sempre.

Huanan: Se possível sim. É uma oportunidade imperdível na qual você aprende mais sobre a língua alemã e de quebra conhece pessoas de diferentes lugares.

10: Que mensagem vocês deixariam para outros estudantes que, assim como vocês, têm o objetivo de fazer um intercâmbio para ter contato com outras culturas?

Cecília: Não desistam de fazer o curso, e se dediquem ao máximo no aprendizado dessa língua, pois amplia nosso conhecimento e abre as portas para o mundo que nos espera de braços abertos.

Huanan: Por mais que uma língua pareça difícil, todas elas têm seus encantos. Aprender alemão não é um dom, o indivíduo deve apenas esforçar-se e, claro, estudar assim como se estuda para passar de ano.

Tags: