Caminhos para educar para a maturidade e a autonomia

O processo de amadurecimento não é linear. É cheio de altos e baixos, idas e vindas. Uma parte importante do amadurecimento dos filhos decorre da maturidade daqueles que o cercam.

A maturidade e a autonomia, assim como outras competências humanas, decorrem de um processo que vai sendo construído gradativamente, na medida em que nos relacionamos com as pessoas e com o mundo, de uma forma ativa e reflexiva.

Amadurecer é também uma decisão. Há quem permaneça na vida no modo imaturo. São os “adultescentes”, aqueles “com mais de 30 anos”, que se recusam a crescer, a assumir as responsabilidades da vida adulta.

Muitos pais, hoje em dia, sentem-se perdidos, confusos e culpados. Por muito tempo ouviram e acreditaram que deveriam conversar mais com os filhos, ouvir, não punir, para evitar traumas e dores, e acabaram chegando ao extremo: a ausência de limites. Criamos uma geração que desconhece as palavras: “limites”, “espera” e “frustração”. Tudo é pra já, agora, neste momento. Desta forma, poucos amadurecem, sentem dificuldades em se responsabilizar, se frustrar, perder ou esperar.

Muitas crianças têm crescido cedo demais. Com agendas lotadas, pouco suporte emocional no que diz respeito a uma formação para autonomia e uma exposição exagerada nas redes sociais, muitas das crianças e mesmo adolescentes não têm podido amadurecer no tempo delas mesmas. Sentem-se cansadas e tristes por não terem em seu contexto o incentivo para a construção de um caráter edificado em valores e voltado à autonomia.

Há pais e mães que abdicam do seu papel formativo, delegando toda a responsabilidade do processo educacional de seus filhos para a escola, que, sozinha, não pode dar conta de tal demanda. É preciso formar um elo de apoio e cooperação entre família e escola. Elas devem andar juntas, em parceria, como duas margens de um mesmo rio, no qual o filho irá navegar para a vida adulta e se desenvolver, conquistando sua maturidade e autonomia, em águas mais seguras – promotoras de crescimento.

A missão de pais e educadores é mostrar os caminhos para ajudar as crianças e adolescentes a fazer suas escolhas de uma forma segura e consciente. Assim, se forma a percepção de que amadurecer não significa ficar chato e nem infeliz. Muito ao contrário, afinal, com atitude empreendedora é possível formar um projeto de vida sadio, eficaz e feliz.

O processo de amadurecimento não é linear. É cheio de altos e baixos, idas e vindas. Uma parte importante do amadurecimento dos filhos decorre da maturidade daqueles que o cercam. Quem ama dedica ao próximo quatro atitudes essenciais: conhecimento, cuidados, respeito e responsabilidade. Estas ações podem promover uma convivência salutar tanto conosco mesmos como com os demais.

Prof. Leo Fraiman – Psicoterapeuta, escritor e palestrante. É autor da Metodologia OPEE, utilizada atualmente por mais de 150.000 alunos em todo o Brasil, e também do livro “Como Ensinar Bem”, pela Editora OPEE/FTD.

Site: www.leofraiman.com.br

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